quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quarto de fumaça





O cinzeiro veste roupa imprópria
É meu corpo queimado ja fumado
Os restos de luz montam o quarto
Sem cama ou lembrança de cruz quebrada
Presente palecido, carregado no peito
Voa agora o lábio seco
Em outros ares, ainda lábio
Cena de novela
Enfivela o ceticismo 
Já que amei, armei degregos
Armei adeus
Voa sem vento o pensar
Tive azar e tu ventania
Life is a pigsty
Não amanhece a saudade
Prisioneira bate nas paredes, risca-as
Arranhas, laceia
Na ceia torpe servida em uma esquina viciada
São calendário de tua falta
Armei as grades que me encerram
E cerram meu respirar
Quanto de destino há no veneno do não?
A cicuta aumenta o efeito 
Quanto mais o adeus se estrada
Armei como amei
Sofro como choro
Encharco a safra de sofreres
Enfumaço o enfadonho despertar 
A cada segundo moribundo por estar vivo
Fumo o sumo da minha designorância
E como insumo padeço triste






  














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